Arquivos de tags: Ouro Preto

Resgate às tradições

11 jun

Perambulando pelo universo online encontrei um blog com um resgate às antigas tradições das repúblicas de Ouro Preto. É uma página onde os dados sobre a realidade vivida nas mais diferentes épocas estão compilados. Um acervo de fotos, relíquias de momentos vividos pelos estudantes enquanto estavam ainda na faculdade. Depoimentos de integrantes de diferentes repúblicas. Informações que depois se transformaram num livro (Repúblicas Estudantis de Ouro Preto e Mariana: Percursos e Perspectivas), que faz mesmo uma linha do tempo histórica das vivências republicanas na cidade.

O blog sugiu da necessidade de manter a conversa entre moradores e ex-moradores das repúblicas para que as informações não se perdessem em matérias apressadas da imprensa, opiniões preconceituosas sobre as repúblicas, desinformação sobre o passado delas e sua presente contribuição para a cidade.

Vale a pena dar uma olhada!

Marcelle Desteffani

Curiosidade Ouropretana

11 jun

Grande parte dos estudantes que se mudam para Ouro Preto moram em cidades distantes, então ficam muito tempo sem voltar para casa. Se acostumar com a república onde moram exige um pouco mais de rapidez e profundidade. O sentimento de irmandade desponta como algo completamente necessário. Forma-se uma família.

E existe uma tradição interessante nas repúblicas “ouropretanas”. Todos os ex-moradores  têm sua foto de formando emoldurada e pendurada nas paredes da sala da casa. Nas repúblicas mais velhas, as fotos de formandos dão uma decoração especial, são fotos e rostos de várias décadas, penduradas na parede. Todas trazem o nome de guerra e do curso concluído. Algumas possuem no canto superior uma pequena tarja negra, sinalizando que aquele veterano já faleceu.

Confira:

Tradicionais fotos dos formandos nas repúblicas de Ouro Preto

Por Marcelle Desteffani

Consegue sobreviver?

30 mai

Hoje vamos contar um pouquinho da realidade republicana em Ouro Preto. Na cidade, tipicamente universitária, podemos observar a forte presença das repúblicas públicas ou federais, mantidas pelo Estado, onde os estudantes não pagam aluguel, mas são responsáveis por todas as demais contas da casa, como as de água, telefone, luz e internet.

Lá a acolhida não é nada agradável para os calouros. Eles têm que batalhar uma vaga na república, ou seja, se sujeitar aos mais variados trotes para depois de 6 meses, no mínimo, aí sim se tornar morador oficial.
Um dos trotes comuns do bicho é a obrigatoriedade de ir para a universidade trajando uma placa com dizeres, bastante sagazes, claro. Alguns têm que usar algum tipo de fantasia ou bichinho pendurado no corpo.

Mas isso não é nada perto de ter suas roupas espalhadas pela cidade, em repúblicas que você nunca entrou antes. E depois de um rock daqueles, você precisando de um banho, não acha nada das suas coisas em sua própria casa. Sobe e desce ladeira, corre pra lá e pra cá, pra achar tudo o que seus queridos veteranos fizeram questão de espalhar e esconder na maior cara dura.

E ai daqueles que reclamarem, que deixarem de cumprir uma ordem de seus superiores. Aí é a hora do vento. Quando um “vento” passa pelo quarto de um bicho significa que o seu quarto passou por uma “remodelagem” e as suas coisas foram todas reviradas, desajeitadas e jogadas pelo chão. Quanto maior a burrada, maior a ventania. Em alguns casos, o dono do erro deverá buscar suas coisas no quintal da casa e separar o cocô de cachorro que caiu nelas. É importante ressaltar, ainda, que as regras são sempre bem claras e que nenhum vento é dado sem motivo.

Sobrevivendo ao processo, os moradores da república se reúnem a portas fechadas, sem a presença do bicho, para deliberar se ele será aceito ou não como morador. Admitido, ele receberá seu nome de batismo. Quase sempre é um apelido gozador, que faz alusão a alguma mancada, defeito ou situação engraçada vivida pelo futuro morador no semestre de teste. Se não for admitido, o morador terá que procurar uma outra república, e novamente se submeter ao processo em sua nova moradia.

Boa sorte ou meus pêsames aos tentam vestibular para Ouro Preto! Só uma pergunta: consegue sobreviver?

Por Marcelle Desteffani

República estudantil foi um dos temas do Profissão Repórter

23 abr

Novidade, separação, empolgação, saudade. Foram os motes da reportagem do Profissão Repórter da última terça-feira. O programa retratou a realidade de quem sai de casa para morar fora e tem que aprender a lidar com sentimentos diversos e a ser gente grande.

Enquanto pais ficam aflitos, os filhos deixam suas casas animados. (É bom deixar claro que nem sempre é assim). E na ânsia de ser alguém na vida, os estudantes de ensino médio ou de pré-vestibular deixam para trás pais e namorados (Como já diria Capital Inicial) e tem que encarar uma realidade completamente diferente da que foi vivida até então.

Os repórteres acompanharam duas repúblicas de Ouro Preto, uma feminina, outra masculina. Deu pra perceber que, realmente, a vida lá é bem diferente. É preciso batalhar pra ficar na república, os “bixos” são tratados “a ferro e fogo” durante um período inteiro, carregam placas por todos os lados, fazem toda a tarefa na casa. Mas há também a parte boa: muitas festas, as sociais por exemplo, muitas pessoas diferentes e toda a liberdade que em casa a maioria dos jovens não têm.

Se você perdeu, assista o programa na íntegra no site do Profissão Repórter . Lá tem também fotos de uma festa de integração entre duas repúblicas. Dá pra sentir o gostinho de como funciona o esquema republicano de Ouro Preto.

E tem até fotos das turmas enviadas por universitários espalhados por todo o Brasil. Desde o trote até a formatura. Vale a pena conferir e conhecer as tantas vertentes da vida universitária brasileira.

Já que não deu tempo de enviar foto da nossa turma aí vai uma:

Que situação!!!

Por Marcelle Desteffani

Presentinho

5 abr

O que fazer quando você chega em casa, depois de um dia daqueles, e encontra fogão, freezer, microondas e todas as vasilhas da casa em cima da pia? O fato aconteceu em uma república de Ouro Preto.

As regras são claras: sujou, limpou. Em grande parte das repúblicas funciona assim, para infortúnio de T.K. O jovem costuma cozinhar algumas vezes, e com frequência esquecia alguma vasilha suja. Um prato, alguns talheres, o copo, e por aí vai.

Nesse dia não foi diferente. T.K. fez arroz e, depois de comer, deixou a panela suja em cima da pia. O esquecimento foi motivo pra ira dos outros moradores da república. Indignados com a situação que acontecia repetidamente eles resolveram deixar um presentinho para T.K.

Quando chegou da faculdade, ele encontrou freezer, fogão, microondas e todas as outras vasilhas em cima da pia e cheias de óleo. O bilhete dizia: Olha o que a sua panelinha de arroz fez… Gerou todos esses presentinhos. Tem que lavar todos!

Uma boa para quem tem esses problemas em casa. E qual república não tem? #ficadica

Dá uma olhadinha na reação:

Por Marcelle Desteffani

De onde vem a república estudantil?

5 abr

Nos anos 60, integrantes da tradicional república Copacabana de Piracicaba

Nos anos 60, integrantes da tradicional república Copacabana de Piracicaba

.

Segundo a Wikipédia, as repúblicas surgiram no século XIV, em Coimbra, berço da academia de Portugal e do Brasil, quando o D. Dinis, por diploma régio de 1309, promovia a construção de casas na zona de Almedina, que deveriam ser habitadas por estudantes, mediante pagamento de um aluguel. O montante seria fixado por uma comissão, expressamente nomeada pelo Rei, constituída por estudantes e por “homens bons” da cidade.

Esses tipos de alojamentos comuns evoluíram e se transformaram nas atuais Repúblicas. Desde aquela época as decisões eram geralmente tomadas por unanimidade e todos os membros responsabilizados pela gestão da “casa”.

O estudante que moraria nas repúblicas ou solares de estudantes (como eram conhecidas na época) era escolhido por votação. Depois disso, passava por um tempo de experiência na casa e mais tarde novamente era submetido à votação para saber se foi aceito ou não como morador.

Isso ainda acontece nas repúblicas federais de Ouro Preto, por exemplo. Lá, quem entra na universidade, tem que batalhar sua vaga na república. O candidato passa um período sofrendo trotes e servindo os veteranos para somente depois ser aceito ou não na casa. São os bixos, vulgo calouros.

No Brasil, apenas durante o reinado de Dom Pedro II, com a fundação da Escola de Minas em Ouro Preto em 1876 pelo cientista francês Claude Gorceix, que se começou a formar em Ouro Preto uma cidade universitária. Aí sim começaram a surgir as repúblicas de estudantes, congregando tradição, história e costumes próprios.

Ao redor da Escola de Minas foram se formando Repúblicas de estudantes, nos mesmos moldes das repúblicas de Coimbra, sendo que as casas eram de propriedade da Escola e cedidas aos estudantes que pagam um pequeno aluguel.

As repúblicas ouropretanas são bastante tradicionais até hoje. Mas isso é história para uma outra ocasião.

A República Copacabana foi uma das repúblicas que surgiram na década de 20, quando estudar fora tornava-se rotina. Formada em 1923 por 6 estudantes cariocas que foram estudar na cidade de Piracicaba/SP, a casa alugada foi batizada com o mesmo nome do hotel do Rio de Janeiro que, anos depois, ficaria famoso em todo o mundo pelas personalidades que recebeu.

Em ambas as Copacabanas, a tradição persiste. Tanto no luxo quanto na xepa. A República Copacaba, além de site, tem também a comunidade no Orkut.

Por Francine Leite e Marcelle Desteffani

Seguir

Obtenha todo post novo entregue na sua caixa de entrada.