Consegue sobreviver?

30 maio

Hoje vamos contar um pouquinho da realidade republicana em Ouro Preto. Na cidade, tipicamente universitária, podemos observar a forte presença das repúblicas públicas ou federais, mantidas pelo Estado, onde os estudantes não pagam aluguel, mas são responsáveis por todas as demais contas da casa, como as de água, telefone, luz e internet.

Lá a acolhida não é nada agradável para os calouros. Eles têm que batalhar uma vaga na república, ou seja, se sujeitar aos mais variados trotes para depois de 6 meses, no mínimo, aí sim se tornar morador oficial.
Um dos trotes comuns do bicho é a obrigatoriedade de ir para a universidade trajando uma placa com dizeres, bastante sagazes, claro. Alguns têm que usar algum tipo de fantasia ou bichinho pendurado no corpo.

Mas isso não é nada perto de ter suas roupas espalhadas pela cidade, em repúblicas que você nunca entrou antes. E depois de um rock daqueles, você precisando de um banho, não acha nada das suas coisas em sua própria casa. Sobe e desce ladeira, corre pra lá e pra cá, pra achar tudo o que seus queridos veteranos fizeram questão de espalhar e esconder na maior cara dura.

E ai daqueles que reclamarem, que deixarem de cumprir uma ordem de seus superiores. Aí é a hora do vento. Quando um “vento” passa pelo quarto de um bicho significa que o seu quarto passou por uma “remodelagem” e as suas coisas foram todas reviradas, desajeitadas e jogadas pelo chão. Quanto maior a burrada, maior a ventania. Em alguns casos, o dono do erro deverá buscar suas coisas no quintal da casa e separar o cocô de cachorro que caiu nelas. É importante ressaltar, ainda, que as regras são sempre bem claras e que nenhum vento é dado sem motivo.

Sobrevivendo ao processo, os moradores da república se reúnem a portas fechadas, sem a presença do bicho, para deliberar se ele será aceito ou não como morador. Admitido, ele receberá seu nome de batismo. Quase sempre é um apelido gozador, que faz alusão a alguma mancada, defeito ou situação engraçada vivida pelo futuro morador no semestre de teste. Se não for admitido, o morador terá que procurar uma outra república, e novamente se submeter ao processo em sua nova moradia.

Boa sorte ou meus pêsames aos tentam vestibular para Ouro Preto! Só uma pergunta: consegue sobreviver?

Por Marcelle Desteffani

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