Morando só fora de casa

12 jun

Morar sozinho é o sonho de muitos que querem sair debaixo da barra da saia da mãe. Quando já se passou pela experiência de morar com várias pessoas diferentes numa república, esse desejo é maior ainda. Ter seu próprio quarto, poder estudar em paz, assistir seu canal de TV favorito, arrumar a casa quando tem vontade e do seu jeito. As vantagens são inúmeras.

Uma das desvantagens de morar sozinho: sempre é sua vez de lavar a louça.

No entanto, morar sozinho não se resume a ser livre e independente. A empreitada exige mais organização do que se imagina, afinal começar cedo a cuidar de uma casa não é fácil. Arrumar a casa sozinho, pagar as contas sozinho, cozinhar sozinho e pra uma única pessoa… no final, pra despistar a solidão falar sozinho já é quase automático.

– Ah, te peguei! Tá falando com a tela do computador neste momento, não é mesmo? Arruma uma companhia, meu filho, hoje é Dia dos Namorados!

Francine Leite

Receita de república

11 jun

Como cozinhar em república é sempre uma dificuldade, resolvemos juntar as receitas mais usadas nas casas dos estudantes pra que ninguém morra de fome, longe da comidinha da mamãe.

Se o arroz não ficar soltinho não se preocupe. A prática leva à perfeição!

Ingredientes:

4 xícaras (chá) de água

2 xícaras (chá) de arroz branco

Sal a gosto

½ cebola picada (opcional)

2 colheres (sopa) de óleo

Modo de preparo: Lave bem o arroz com água corrente, escorra e reserve. Coloque a água para ferver (sempre o dobro da quantidade de arroz que você for utilizar). Pique a cebola em pedaços bem pequenos. Coloque óleo numa panela e leve ao fogo para esquentar. Quando estiver bem quente, junte a cebola. Mexa e deixe dourar levemente. Junte o arroz e mexa bem. Quando secar completamente e, antes de começar a grudar no fundo da panela, despeje a água fervente e mexa bem. Tempere com sal. Abaixe o fogo e deixe cozinhar até a água secar totalmente. Vá provando para ver se o arroz já está cozido. Caso contrário, acrescente mais um pouco de água. Quando a água secar no fundo da panela, o arroz estará pronto.

Miojo Especial

Nada de miojo tradicional! A receita já diz!

Ingredientes

1 miojo (comum sabor que desejar)

1 colher de requeijão

1 colher de massa de tomate

Água

Se desejar coloque pedaços de queijo de sua preferência

Modo de preparo: Coloque a massa de tomate em uma panela para ferver. Acrescente meio copo de água, deixe ferver e adicione o macarrão. Coloque o tempero do miojo e deixe amolecer. Assim que estiver pronto, não desligue o fogo. Acrescente o requeijão e o queijo, misture por 2 minutos e bom apetite.

Brigadeiro (não podia faltar)

Comer brigadeiro no prato é o que há!

Ingredientes:

1 colher de sopa de manteiga
2 lata(s) de leite condensado
1 xícara(s) (chá) de chocolate granulado
4 colher(es) (sopa) de chocolate em pó

Modo de preparo: Numa panela, junte o leite condensado, a manteiga e o chocolate em pó. Misture bem até incorporar tudo. Leve ao fogo brando mexendo sempre. Utilize panela de fundo grosso. Quando a massa começar a se desprender do fundo da panela (o tempo varia de acordo com a panela) passe a massa para um prato untado com manteiga e deixe esfriar.

Na próxima sessão, mais receitas de república. Fique de olho!

Por Marcelle Desteffani

Agito republicano

11 jun

O agito nas repúblicas já foi tema de reportagem no Programa Hoje em Dia da Rede Record.

Quer conhecer um pouquinho mais sobre a realidade de Ouro Preto, as festas e a convivência? Confira:

Por Marcelle Desteffani

Ladrão de molho de tomate

11 jun

Como já foi dito por aqui, os recados nas repúblicas são extremamente comuns. Uns por falta de coragem pra falar pessoalmente, outros por falta de tempo e mais alguns só pra que todos os moradores vejam. O engraçadinho que roubou molho de tomate em uma república de Curitiba mereceu mesmo um bilhete bem mal criado:

Bilhete mal criado para quem merece!

Para conferir a história completa é só clicar aqui.

Marcelle Desteffani

Resgate às tradições

11 jun

Perambulando pelo universo online encontrei um blog com um resgate às antigas tradições das repúblicas de Ouro Preto. É uma página onde os dados sobre a realidade vivida nas mais diferentes épocas estão compilados. Um acervo de fotos, relíquias de momentos vividos pelos estudantes enquanto estavam ainda na faculdade. Depoimentos de integrantes de diferentes repúblicas. Informações que depois se transformaram num livro (Repúblicas Estudantis de Ouro Preto e Mariana: Percursos e Perspectivas), que faz mesmo uma linha do tempo histórica das vivências republicanas na cidade.

O blog sugiu da necessidade de manter a conversa entre moradores e ex-moradores das repúblicas para que as informações não se perdessem em matérias apressadas da imprensa, opiniões preconceituosas sobre as repúblicas, desinformação sobre o passado delas e sua presente contribuição para a cidade.

Vale a pena dar uma olhada!

Marcelle Desteffani

Curiosidade Ouropretana

11 jun

Grande parte dos estudantes que se mudam para Ouro Preto moram em cidades distantes, então ficam muito tempo sem voltar para casa. Se acostumar com a república onde moram exige um pouco mais de rapidez e profundidade. O sentimento de irmandade desponta como algo completamente necessário. Forma-se uma família.

E existe uma tradição interessante nas repúblicas “ouropretanas”. Todos os ex-moradores  têm sua foto de formando emoldurada e pendurada nas paredes da sala da casa. Nas repúblicas mais velhas, as fotos de formandos dão uma decoração especial, são fotos e rostos de várias décadas, penduradas na parede. Todas trazem o nome de guerra e do curso concluído. Algumas possuem no canto superior uma pequena tarja negra, sinalizando que aquele veterano já faleceu.

Confira:

Tradicionais fotos dos formandos nas repúblicas de Ouro Preto

Por Marcelle Desteffani

Trajetória de menina só

9 jun

Morar sozinha nunca foi seu ideal de vida. Sozinha pra ela bastava dizer que não moraria com os pais. Mesmo cercada de amigas, ela ainda acreditava que estava morando sozinha. E realmente estava. No início era mais difícil perceber, mas com o tempo, o aumento das tarefas universitárias, profissionais e mesmo amorosas tudo foi ficando mais só, dentro de casa.

Sair do interior. Essa era sim seu ideal de vida. Pudera ela trazer tudo consigo! Pais, amigos, casa, o bairro onde morava e a igreja que frequentava. Não a cidade, já que esta nunca foi por ela admirada. Mas tudo isso precisou ficar para trás. A coragem de menina sonhadora falou mais alto e num instante a vida mudou.

Agora era realidade de cidade grande, engarrafamento, vizinhos ausentes, desconhecidos na rua, um bairro grande e no mínimo estranho. E o que falar da universidade? Uma multiplicidade de pessoas, jeitos, vícios, um turbilhão de informações e um professor carrasco pra tudo começar melhor.

Mas nada disso era motivo de preocupação, apesar do medo inicial e das inseguranças da cidade grande. A relação que manteria em casa, na república onde ela escolheu para morar, é que preocupava. Uma enxurrada de entusiasmo embalou os primeiros meses. Tarefas bem feitas, passeios em conjunto, festinhas, novos amigos, jogos e sono tranquilo. Atitudes típicas de “recém casados”.

Com o tempo nem tudo o que parece é. As pessoas foram se distanciando de sua vida e mostrando seus verdadeiros anseios. A amizade parecia cada dia mais longe e nada poderia ajudar a recomeçar. Uma foi embora para uma cidade distante, e aos poucos desapareceu. Outras continuavam ali, mas pareciam o contrário. Surgiu uma nova, calma, alegre e com bom coração. Mas a menina não apostava mais nada. Nada esperava.

As conturbações ficaram mais constantes. Pressa, tarefas não cumpridas, discussões só pelo olhar, nada de palavras além do bom dia, quando existia. Outra não aguentou, preferiu se mudar antes que a situação se agravasse. Bem fez ela, que não precisou conviver com o amargo das desavenças mal resolvidas do final. A menina permanecia lá, com os mesmos valores de cidade pequena, mas com desejo de voar cada vez mais alto.

Mais uma entrou em sua vida. Animada, faladeira, cheia de energia. O que foi se esvaindo com o tempo e se transformando em dor. Existia algo de errado. Aquele ambiente não era mais o mesmo e a situação precisava ser invertida, enquanto fosse tempo. A menina, que sempre teve espírito de mãe, foi quem tomou a iniciativa.

Ia partir e levaria consigo aquelas que mais estimava. As duas mais próximas a acompanharam. Uma nova república, bem parecida com aquela do fim do período militar brasileiro, estava surgindo. Nova em todos os sentidos. Onde foi possível, um resgate do que estava perdido. A amizade, a vontade de voltar pra casa no fim do dia, a liberdade para falar, cantar, gritar e principalmente, conversar, estava recuperada. Era tudo o que a menina queria, tudo o que precisava. Ela aprendeu que nada acontece por acaso, como bem diziam. Depois da tempestade o que ficam são aprendizados e o que é melhor, a vontade de fazer diferente.

Por Marcelle Desteffani